Nosso Abbey Road é o 12 dólares?

Assisti ao DVD da Marisa Monte, Infinito ao meu redor, em duas partes. No primeiro dia, não passei dos 20 minutos e parei. Tenho muita admiração por ela, sua música e a maneira  que construiu sua carreira. Fui envolvido por mais emoção do que esperava, e tive que esperar um dia mais preparado para assistir e aproveitar realmente a exibição.

Li também o livro do produtor Phil Ramone, que já trabalhou com grandes estrelas do showbizz, em especial o americano: Frank Sinatra, Tony Bennett, Ray Charles, Aretha Franklin.

Para mim, foram duas aulas. Embora a lição direta possa ter sido aquela sobre a vida prática, profissional, de quem está ligado à música 24 horas por dia, a verdadeira lição é uma de encorajamento, de que é possível unir e buscar talento, regularidade, sensibilidade e estabilidade em um meio muitas vezes aparentemente carente disso tudo.

Acredito muitíssimo na conjunção entre nós quatro do LUDOV. Confio em nós como artistas e colaboradores. Vejo, admiro, confio no talento dos meus colegas, meus irmãos. Sei que todo caminho é um pouco solitário, que ser artista “é pau, é pedra” e “é um pouco sozinho”, mas ter 3 outras pessoas para compartilhar esse traçado é uma benção.

As composições vão surgindo. Ainda estão num ritmo lento. Espero mais. Vou me esmerar para mais.

Por enquanto, eu e Habacuque temos pincelado aqui e ali novas melodias, novos temas, alguns conceitos. Começamos por revisar o que tínhamos até aqui, o que estava espalhado nas margens dos cadernos, nas pastas esquecidas dos computadores, em algum canto da memória. Gravamos alguns arranjos de músicas que já havíamos tocado em shows: Vinte Por Cento, O Passado, Cair em Amor. Estamos trabalhando em uma que estou adorando: Sob a Neblina da Manhã. Como eu e Hbcq ainda por cima somos sócios do estúdio 12 dólares, há o prazer extra de experimentar com o Chapo uma afinação mais relaxada da bateria aqui, um microfone deslocado ali… um take mais relaxado, outro mais preciso com a Van… coisas preciosas que vamos aprendendo gravando.

Há muito tínhamos o desejo de poder entrar em estúdio sem pressão de horários e metas, tentar criar ali dentro as novas melodias e arranjos para depois colocar letras. Desde que essa banda é criança a gente quer ser, claro, meio Beatles no Abbey Road. Em parte é isso.

Hoje lá na festa da Vanessa foi muito gostoso. Miranda e André comandaram o mundo, não tem pra Madonna nem ninguém. Muitos amigos, muitos talentos e muita diversão. 2008 foi um ano bacana. 2009 será ainda melhor. Parabéns, Van!!!