Gravando no sítio

Estamos no sítio já há pouco mais que uma semana, mas parece um ano. O mato está alto, a fauna mais presente. Ontem dialoguei via linguagem de sinais com um esquilo.

Fiquei um pouco aborrecido no começo por não poder transmitir nem atualizar o site direito, mas já passou. Essa reclusão acaba funcionando por uma causa mais nobre, que é fazer esse disco direito.
Estou cozinhando todos os dias, e compondo quase todos os dias. Habacuque também já fez das suas, e o Fabio sempre apronta alguma. Vanessa ficou o fim de semana e está cantando bem à beça. Gravou algumas vozes-guia e algumas que parecem ser as definitivas. Ficamos muito felizes eu e ela, e todos, com seu desempenho e seu astral. Achei que ela está bem mais tranquila e inserida do que nas gravações do Disco Paralelo no Rio.
Nesse momento em que escrevo, Chapolin está gravando a bateria de Teu Perfume, canção do Habacuque. Chapolin chega e o meu astral já melhora. Ele tem uma positividade muito particular, não de quem se esforça em ser assim, mas às vezes acho que é porque o seu jeito não admite que o baixo-astral se aloje em canto algum.
Os nomes que damos às músicas a essas alturas são sempre provisórios, é só para sabermos de qual música estamos falando. Flor de Lótus, Segundo Ato, Magnética, Teu Perfume, Show no CB, Reprise, Notre Voyage…
Ontem o Habacuque datilografou à máquina de escrever todas as nossas letras mais recentes. Eu e Fabio ouvimos uma vez apenas o novo do U2.
Tenho tomado vitamina de frutas todo dia pela manhã, o sol entra pela varanda, eu fico olhando o verde e o vale, deixo as músicas virem, penso no que e em quem eu quero pensar. Meu coração está aberto.